terça-feira, 2 de abril de 2019

Desativei minhas redes sociais e estou sentindo os efeitos do FOMO (Fear of Missing Out)


No último post que havia feito aqui, falei sobre detox de redes sociais. Pois bem! Decidi fazer mais que isso: desativei minhas redes sociais [Instagram e Twitter, para ser mais específico] e tenho me sentido bem sem elas até então. Não tive tanta resistência em desativar o Instagram, pois ultimamente não estava fazendo muito sentido para mim ter uma conta lá. Já não publicava mais fotos no feed com frequência, mas por ter uma conta lá, meio que ficava me forçando a encontrar fotos ou motivos para publicar, e comecei a não achar isso saudável para mim. Além disso, me sentia desconfortável com o fato de que as fotos que geralmente ganhavam mais curtidas eram as que nem sempre tinham um significado tão importante para mim. Compartilhar coisas que têm um significado especial com pessoas que não compreendem esse significado, ou que compreendem, mas não dão a mínima, começou a fazer com que eu me sentisse mal e isso se intensificou pelo fato de eu utilizar bastante os stories, mas comecei a me incomodar com o fato de muitas pessoas visualizarem meus stories, mesmo minha conta sendo privada, mas pouquíssimas delas interagiam comigo. Comecei a pensar: "Essas pessoas não são meus amigos e sequer estão interessadas em ser. Eles só acompanham minha vida, e o pior: eu entrego de bandeja a minha vida para elas acompanharem". Chegou a um ponto que mexer no Instagram se tornou mais uma coisa que eu utilizava para preencher meu tempo de forma improdutiva e não muito saudável psicologicamente, rolando o feed e vendo fotos e notícias que me afetavam mais negativamente do que positivamente, me geravam ansiedade e mudavam o meu humor. As coisas boas que o Instagram ainda me proporcionava, como ver fotos de plantas e consumir conteúdos sobre música, receitas de comidas e itens de DIY (Do It Yourself), são o tipo de conteúdo que consigo consumir através de outras plataformas que considero menos tóxicas, como o Pinterest ou o YouTube.
Sobre o Twitter já não posso dizer a mesma coisa, pois é a rede social que eu tinha há mais tempo, quase dez anos, e eu utilizava bastante para expressar minha opinião sobre diversos assuntos. Acho que Twitter é a rede social que eu utilizava de forma mais responsável e saudável. Com o passar do tempo, diminuí o número de pessoas que eu seguia lá, ao ponto de manter somente aqueles que publicavam coisas que me agregavam algo de positivo, utilizava a plataforma para me manter informado sobre notícias da atualidade ou para ver o que estavam falando sobre assuntos do meu interesse, como um filme ou uma série do momento. O grande problema que comecei a ver no Twitter e que tornou a experiência com ele um tanto tóxica para mim nos últimos meses foi a funcionalidade que mostra na timeline tuítes que os meus seguidores curtiram. Acho desnecessário aparecer para mim posts que os meus seguidores simplesmente deram um like, sabe? Isso acaba deixando a timeline muito carregada com informações aleatórias. Outro fator que pesou na hora de desativar o Twitter, que eu gosto tanto, foi o fato de que ultimamente eu falo sozinho lá. Percebi que criei uma rede de seguidores que não se interessam ou não se identificam de verdade com as coisas que eu tuíto, com as experiências que eu vivencio e falo a respeito lá ou com as opiniões que eu compartilho sobre determinados assuntos. Para mim, foi bem frustrante me sentir isolado em uma rede social com mais de quatro mil seguidores. No decorrer dos dez anos que estou no Twitter, muitos devem ter abandonado suas contas.
Hoje pela manhã tive uma recaída. Recebi uma notícia maravilhosa e senti uma enorme vontade de tuitar a respeito, então reativei a conta no Twitter e escrevi sobre essa notícia maravilhosa, mas depois tive uma sensação horrível de estar compartilhando uma notícia que me deixou tão feliz e radiante com pessoas que não dariam a mínima, então desativei a conta novamente. Acho que o que eu senti foi efeito do FOMO ou Fear of Missing Out, que em português pode ser traduzido como "medo de estar perdendo algo" ou "medo de estar por fora", algo que muitas pessoas sentem ao sair das redes sociais, sentem que perdem um espaço onde poderiam compartilhar informações e receber likes, algo que, de certa forma, a gente acaba condicionando como uma espécie meio distorcida de validação, mas que a gente não precisa. Se eu me sinto bem com a minha aparência, não preciso publicar uma selfie no Instagram e receber likes para me sentir bem com o fato de gostar da minha aparência. Se eu estou em um lugar legal me divertindo com meus amigos, não preciso publicar isso nas redes sociais e mostrar para os outros [que não vão dar a mínima]. Sinto que quando faço ou desejo fazer ago assim, é como se eu estivesse desesperado por migalhas de atenção que vão vir em forma de likes ou de visualizações, ou que simplesmente não vão vir e isso vai me frustrar e me fazer achar que eu não sou uma pessoa de conteúdo, divertida, bonita... Enfim, que eu não tenho atributos para que essas pessoas se interessem por mim, mas isso tá super errado, porque mesmo se eu não tiver esses atributos, eu ainda sou merecedor de amor, carinho e atenção. E eu não preciso da validação dos outros para me sentir merecedor, e não preciso buscar perfeição e mostrar essa perfeição. Enfim, para mim, tudo isso são os efeitos do FOMO falando mais alto que a minha sensatez ao utilizar as redes sociais.


Bom... Seguirei com as redes socais desativadas. Não sei se isso vai ser para sempre ou algo temporário. Vamos ver até onde vou conseguir levar isso adiante, mas acho que, no momento, estou precisando ficar afastado dessas plataformas que estão me fazendo mais mal do que bem.

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