segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Detox de redes sociais


Venho refletindo seriamente sobre como as redes sociais têm me afetado de forma negativa. O tempo excessivo que passo em plataformas como Instagram e Twitter afetam não só a minha produtividade no dia a dia, mas também a minha saúde mental. Vivo em uma relação de amor e ódio com as redes sociais, pois ao mesmo tempo que sei o quanto me afetam negativamente, tenho consciência de que não consigo me ver sem redes sociais. Gosto da praticidade que elas me proporcionam para me manter informado sobre assuntos diversos, já que não assisto muita televisão [nem tenho TV em casa], ou o espaço que me dão para expressar a minha opinião sobre assuntos como música, cinema, literatura e até mesmo questões sociais importantes, como militância LGBT ou política, e eu gosto de conhecer pessoas e trocar uma ideia sobre assuntos em comum. De maneira geral, eu gosto do universo das redes sociais, mas algumas coisas nesse universo fazem com eu me sinta mal. Sendo assim, nada mais justo e lógico que buscar mecanismos para minimizar esses aspectos prejudiciais das redes sociais. Afinal, quase sempre os aspectos negativos não estão exatamente nas redes sociais, mas na maneira como as utilizamos.
Já fui do tipo que, assim que surgia uma nova rede social, corria logo para criar uma conta e ser um dos primeiros a utilizar. No entanto, desde 2015, quando decidi deletar meu perfil no Facebook, venho reavaliando constantemente a maneira como as utilizo e, diante de recentes percepções sobre como principalmente Instagram e Twitter têm afetado o meu bem-estar, decidi fazer um detox de redes sociais na minha vida. Se você ainda não sabe como funciona um detox de redes sociais, assista a esse vídeo maravilhoso em que a Fe Neute, dona do canal Feliz com a vida no YouTube, conta sua experiência com vício em redes sociais:


Brené Brown, doutora em estudos sociais e autora do livro A Coragem de Ser Imperfeito, afirma que nós “estamos aqui para criar vínculos com as pessoas. Fomos concebidos para nos conectar uns com os outros. Esse contato é o que dá propósito e sentido à nossa vida e, sem ele, sofremos.” (BROWN, 2012, p. 12) Ao projetarmos esse pensamento para as redes sociais, percebemos o quanto estas superficializam muitos aspectos das relações humanas, e esses aspectos, como reduzir elogios em uma foto a likes e quantificá-los, podem afetar alguns positivamente ou negativamente, a depender do que motiva uma pessoa a estar nas redes sociais e a utiliza-las.
Comecei a utilizar redes sociais em 2004, no ápice do Flogão e do Orkut. Com quinze anos de idade naquela época, eu comecei a utilizar redes sociais para me sentir incluído naquele universo descolado que a maioria das pessoas na minha escola já faziam parte. De lá para cá, o motivo de eu continuar utilizando redes sociais foi sendo ressignificado, e percebo que atualmente o que me motiva a estar nas redes sociais é estabelecer e manter vínculos baseados em reciprocidade, com pessoas que eu conheço pessoalmente ou não, mas que têm interesses em comum comigo. E analisando o meu Instagram e o meu Twitter ultimamente, noto muitas pessoas que eu até conheço pessoalmente, mas não mantenho vínculos baseados em reciprocidade, e até temos interesses em comum, mas não trocamos uma ideia a respeito, talvez por preguiça ou por desinteresse mesmo. Em outras palavras, para estas pessoas, eu talvez só represente um número. Assim, meu detox se baseia em basicamente buscar no meu Instaram essas pessoas que são somente um número: com quem eu não converso ou que não interagem comigo, que visualizam os meus stories religiosamente, mas que não curtem nada no meu feed, e por aí vai.
Vai ser fácil? Sinceramente, não. Às vezes, eu olho para o perfil de alguma pessoa que me segue e eu a sigo de volta no Instagram, mas essa pessoa não costuma curtir as minhas publicações ou conversar comigo. Aí eu penso: “Essa é uma pessoa para deixar de seguir ”, mas aí eu lembro que eu já encontrei essa pessoa uma vez na rua e ela foi gentil comigo, ou que em uma tarde de terça-feira em 2016 ela me mandou um emoji de 👍🏼 quando publiquei uma foto do filme que estava assistindo, e isso faz com eu me sinta mal, como se eu tivesse destruindo uma amizade em potencial, uma relação que poderia ter mais profundidade. É como se a pessoa, por ter sido gentil uma vez na vida comigo, não merecesse o unfollow. Porém, não sei se é o mesmo sentimento que a pessoa tem sobre mim.
É difícil porque é uma decisão de deixar de seguir pessoas, e pessoas têm sentimentos. Além disso, para algumas pessoas hoje em dia levar um unfollow é considerado uma ofensa gravíssima, mas é aí que entram algumas questões importantes:
1. Ser gentil e respeitoso é o mínimo que se espera de uma pessoa. Não tem que se sentir em débito só porque alguém foi gentil e respeitoso com você. Isso é o mínimo que se espera de uma pessoa decente e íntegra.
2. Tenho um amigo que sempre diz que, se ele conhece alguém na vida real e essa pessoa o segue numa rede social, mas não cria conteúdos que lhe interessam, ele não vê porquê segui-la de volta, e faz muito sentido.
3. Se uma pessoa não lhe inspira ou não lhe dá atenção nas redes sociais, mesmo que você lhe dê atenção, não há motivos para manter essa pessoa nas suas redes sociais só por receio em desagrada-la. Pode parecer egoísta, mas colocar os sentimentos e o bem-estar dos outros à frente dos nossos, em certas circunstâncias é nos condicionar a aceitar uma angústia só para não ter que desagradar o outro, e isso não é justo tampouco saudável consigo.
Bom... Espero conseguir pôr tudo isso em prática e implementar o meu detox.

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