terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Sobre amor-próprio: o quanto você acredita em si mesmo?


Sempre fui muito sonhador! Na adolescência, alimentava uma ideia de chegaria aos 30 com muitos dos sonhos concretizados [em parte por culpa do filme “De Repente 30”, admito! rs], alguns como: realização profissional, estabilidade financeira, livros publicados, um site/blog de sucesso, um relacionamento estável, estudando música, entre outros.
Hoje estou com 26 anos, caminhando para os 27 em menos de dois meses, e ainda tenho os mesmos sonhos. Alguns se tornaram realidade, mas de outros só me sinto mais distante agora que sou um adulto [aliás, sou adulto há bastante tempo já] e tenho que lidar com a realidade: trabalhar, pagar contas, etc e tal.
No ano passado, procurei ajuda profissionalCheguei a frequentar dois psicólogos. Busquei ajuda por estar me sentindo fraco e com a autoestima no chão. Não acreditava mais em mim como antes e, por conta disso, me peguei desistindo de coisas que eu sempre amei, me distanciando de sonhos, de ideais, e me contentando com uma vida que outrora eu prometia a mim mesmo que eu não viveria, pelo menos não enquanto for jovem e puder correr atrás dos meus sonhos. Consequentemente, me senti angustiado, ansioso, estressado e com medo de todas essas sensações me levarem à depressão.
No livro da consultora M. J. Ryan, li que “ficamos inseguros e ansiosos quando buscamos a perfeição para corresponder às expectavas alheias. Perdemos de vista nossa essência, aquilo que nos faz uma pessoa única”. Me identifiquei muito com isso [e com o livro, em termos gerais, inclusive falei sobre ele AQUI].
Com ajuda de psicólogos, descobri que eu sou perfeccionista. Eu sempre tive uma idéia diferente de perfeccionismo, por isso não achei que eu fosse, mas descobri que o perfeccionismo me levava a desistir de coisas por não acreditar que as outras pessoas fossem achar tão boas, por achar que não fosse agradar.
Recentemente em “A Arte de Amar e Ser Amado”, do psicólogo britânico Robert Holden, li sobre o amor, que vem sendo o seu instrumento de trabalho durante anos e ele acredita que a raiz da maioria dos problemas na vida de uma pessoa gira em torno da concepção que ela tem do amor. Me identifiquei com muitas partes do livro, mas uma das que mais me chamou atenção foi o seguinte trecho:
“Minha falta de amor-próprio era uma culpa secreta. Eu tentei escondê-la sendo popular. (…) Fiz de tudo para controlar as percepções das pessoas a meu respeito. Tentei ser um bom filho para os meus pais, uma criança educada para meus professores e um amigo leal para meus colegas. Recuava diante do mais leve sinal de desaprovação ou rejeição. Mas não tinha a menor ideia de por que me sentia assim. Eu não tinha feito nada errado. Não era uma má pessoa. Simplesmente não me sentia digno de ser amado. (…)Eu tinha inveja dos meus amigos que pareciam mais confiantes do que eu. Queria gostar mais de mim, mas não sabia como fazer isso.”
Senti algo tão forte ao ler este trecho! A impressão que tive foi a de que o autor estava me descrevendo ali.
Outro trecho interessante de um livro é este, de Wild Love, da psicóloga Gill Edwards:

“A falta de amor-próprio - a desconexão com o amor - é a raiz de quase todos os nossos problemas e a razão de todas as nossas neuroses. É a razão de nossos problemas de relacionamento e o motivo de optarmos por uma vida a pão e água em vez de convidarmos a nós mesmos para um banquete. Isso nos conduz a vidas de ‘silencioso desespero’, segundo palavras de Thoreau, nos aprisionando em rotinas entediantes, em que temos relacionamentos insensatos, ou dificuldades de conseguir um amor, ou preocupação excessiva com a opinião alheia, ou somos limitados por aquilo que achamos que merecemos, ou por aquilo que os outros ‘nos permitem’.”
Quer saber o que eu aprendi com essas reflexões? Não importa o quanto os outros te menosprezem, o quanto eles não vejam o seu potencial. Enfim, não importa o que os outros pensem a seu respeito, você só chegará longe se acreditar em si mesmo, e quando você acredita, naturalmente você encontra maneiras de mostrar do que você é capaz. Não que isso seja importante, "mostrar aos outros do que você capaz" ou "mostrar aos outros o quão longe você pode chegar". Só é importante se você quiser que seja importante! Se você não quiser, o importante é estar aonde você está e não mostrar nada a ninguém. Não é uma necessidade! Isso quem decide é você! A sua opinião é a mais importante!
Mas, veja bem, se você não acredita em si mesmo, não faz a menor diferença o potencial que você tem. Ele sempre vai ficar guardado aí dentro de você, pois você nunca vai ter a audácia de mostrá-lo ao mundo.
Chega de precisar ouvir um "Você canta bem!" para que você possa cantar. Cante porque você gosta e porque faz você se sentir bem consigo mesmo! Faça pela sensação e pelo prazer que te proporciona, não pelas reações que causam nas pessoas. Faça por você, não pelos outros!
Não espere ouvir "Você escreve bem!" ou "Você pinta bem!" para criar um poema ou uma tela. Se você tiver vontade de fazer, simplesmente vá lá e faça. Ponha para fora!
Uma das psicólogas que eu frequentei me disse uma coisa muito importante, que fez toda a diferença na minha vida, principalmente no momento difícil pelo qual eu estava passando. Ela me disse: "A opinião dos outros é apenas a opinião dos outros, nada mais! O que eles pensam sobre você não te define, mas o que você pensa sobre si mesmo pode te afetar de diferentes formas."
A opinião dos outros já me incomodou muito e já fez com que eu me sentisse um lixo, mas eu aprendi que você não pode deixar de ser quem você ou fazer as coisas que você faz, do jeito que você faz, só porque os outros dizem algumas coisas a seu respeito. Alguém sempre vai falar, seja você um anjo ou um demônio. O mais importante é estar de bem com a sua consciência, ser fiel aos seus princípios e amar-se por fazer as coisas que você faz, do jeito que você faz. Nunca desista de você!


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